US$ 236 BILHÕES POR ANO
Esse é o valor estimado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em lucros ilegais gerados pelo trabalho forçado na economia privada em todo o mundo.
Desse montante, aproximadamente 73% estão relacionados à exploração sexual comercial forçada. Aplicando esse percentual ao valor total estimado pela OIT, chega-se a aproximadamente US$ 172 bilhões por ano.
É um valor que impressiona pela dimensão:
US$ 172 BILHÕES POR ANO
US$ 14,3 BILHÕES POR MÊS
US$ 470 MILHÕES POR DIA
US$ 19,6 MILHÕES POR HORA
Os cálculos representam uma estimativa baseada nos dados da OIT e não significam que exista um levantamento capaz de medir exatamente todo o dinheiro movimentado pelo tráfico sexual no mundo.
Por trás dos bilhões estão milhões de vítimas.
A OIT estima que aproximadamente 6,3 milhões de pessoas estavam submetidas à exploração sexual comercial forçada em 2022.
Entre elas, aproximadamente 4,9 milhões eram mulheres e meninas.
A organização estima ainda que quatro em cada cinco vítimas de exploração sexual comercial forçada sejam mulheres ou meninas.
São pessoas submetidas a situações de exploração mediante ameaças, violência, fraude, coerção ou outras formas de controle.
UM NEGÓCIO ILEGAL MAIOR DO QUE MUITAS EMPRESAS
Uma comparação ajuda a dimensionar esse dinheiro.
Os aproximadamente US$ 172 bilhões anuais associados à exploração sexual comercial forçada equivaleriam a cerca de 6,4 vezes a receita anual do McDonald's em 2025, que foi de US$ 26,9 bilhões.
Na comparação com a Apple, que registrou aproximadamente US$ 416 bilhões em receita em 2025, o valor estimado corresponderia a cerca de 41% da receita anual da gigante de tecnologia.
É importante ressaltar que essa comparação serve apenas para mostrar ordem de grandeza. A receita de uma empresa é uma atividade econômica legal, enquanto os valores calculados pela OIT representam lucros ilegais associados ao trabalho forçado.
QUANTO VALE UMA VÍTIMA PARA OS EXPLORADORES?
A OIT calcula que a exploração sexual comercial forçada gera, em média, aproximadamente US$ 27.252 de lucro ilegal por vítima a cada ano.
Esse valor é muito superior ao lucro médio estimado para outras formas de trabalho forçado impostas por agentes privados, calculado em cerca de US$ 3.687 por vítima ao ano.
A diferença ajuda a explicar por que a exploração sexual é tão atraente financeiramente para redes criminosas: a vítima pode ser explorada repetidamente, enquanto os custos para os criminosos permanecem relativamente baixos.
O NÚMERO REAL DE VÍTIMAS É DESCONHECIDO
Existe, porém, uma ressalva fundamental.
Os números oficiais de pessoas identificadas pelas autoridades representam apenas uma parcela das vítimas existentes.
O tráfico humano ocorre de forma clandestina. Muitas vítimas não conseguem denunciar, têm medo dos exploradores, são mantidas sob controle ou simplesmente permanecem invisíveis às autoridades.
Por isso, não existe hoje um número exato de quantas pessoas são vítimas de tráfico humano no mundo a cada ano.
As estimativas internacionais servem justamente para revelar a dimensão de um problema que, em grande parte, permanece escondido.
O tráfico de pessoas pode ter diferentes finalidades: exploração sexual, trabalho forçado, servidão e outras formas de exploração.
No caso da exploração sexual comercial forçada, entretanto, mulheres e meninas representam a maioria das vítimas.
O problema também está relacionado à vulnerabilidade econômica e social. Migrantes, crianças e pessoas em situação de pobreza ou vulnerabilidade podem estar particularmente expostos a diferentes formas de exploração.
Os números de bilhões de dólares podem dar a impressão de que estamos diante apenas de uma questão econômica.
Cada dólar desse lucro ilegal está relacionado à exploração de uma pessoa.
Por trás dos US$ 172 bilhões estimados anualmente, existem mulheres, meninas e outras vítimas submetidas a situações que podem envolver violência, ameaças, coerção e perda da liberdade.
O dinheiro revela apenas uma parte da dimensão do problema.
A outra parte, a mais grave, está nas vidas transformadas em fonte de lucro por redes de exploração.
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