Coreia do Norte, Somália, Iêmen, Nigéria e Irã estão entre os países onde cristãos enfrentam restrições severas, ameaças e violência por causa da religião. Em algumas nações, a conversão ao cristianismo pode colocar a vida dos fiéis em risco.
A perseguição religiosa contra cristãos continua sendo um problema em diferentes regiões do mundo. Em determinados países, os fiéis enfrentam ameaças, prisões, agressões, restrições à realização de cultos e até assassinatos relacionados à prática da fé cristã. As situações variam conforme as leis, as políticas governamentais, a atuação de grupos extremistas e as condições de segurança de cada região.
De acordo com a organização internacional Portas Abertas, responsável pela publicação da Lista Mundial da Perseguição 2026, 4.849 cristãos foram mortos por causa da fé no período de 1º de outubro de 2024 a 30 de setembro de 2025. O número corresponde a uma média de aproximadamente 13 mortes por dia.
A organização ressalta que os dados representam os casos identificados e documentados durante o período de referência. Por isso, o total real pode ser maior, considerando as dificuldades de investigação e registro em áreas de conflito ou com forte repressão religiosa.
A Nigéria aparece como um dos principais focos de violência contra cristãos. No período analisado pela Portas Abertas, foram contabilizadas 3.490 mortes de cristãos por causa da fé no país africano, o equivalente a aproximadamente 72% do total mundial registrado pela organização.
Entre os responsáveis por ataques estão grupos extremistas, como o Boko Haram e o Estado Islâmico na África Ocidental. A violência, entretanto, ocorre em um contexto complexo, que também envolve conflitos armados, disputas locais e problemas de segurança.
A Coreia do Norte figura entre os países com as condições mais difíceis para os cristãos. O governo mantém severo controle sobre a vida religiosa, e a prática independente do cristianismo pode resultar em punições graves.
A realização de cultos clandestinos, a posse de materiais religiosos e a participação em atividades cristãs não autorizadas podem colocar os fiéis em risco de prisão e trabalhos forçados. A falta de liberdade religiosa torna difícil conhecer a dimensão exata da comunidade cristã e documentar todos os casos de perseguição.
Na Somália, grupos extremistas representam uma ameaça particularmente grave aos cristãos, sobretudo àqueles que abandonam o islamismo para seguir outra religião. Em determinadas circunstâncias, a descoberta da conversão pode resultar em ameaças, violência e risco de morte.
No Iêmen, a combinação de instabilidade política, conflito armado e restrições religiosas também torna a situação delicada. Cristãos convertidos do islamismo podem enfrentar pressão familiar, discriminação e ameaças por causa de suas crenças.
No Irã, determinadas comunidades cristãs, especialmente grupos ligados a convertidos do islamismo, enfrentam vigilância, detenções e restrições às atividades religiosas e de evangelização.
Na Arábia Saudita, a prática pública de religiões não islâmicas enfrenta limitações severas. Embora existam trabalhadores estrangeiros cristãos no país, a liberdade para realizar atividades religiosas publicamente é bastante restrita.
No Paquistão, os cristãos fazem parte de uma minoria religiosa que enfrenta discriminação e episódios de violência. As leis contra a blasfêmia são motivo de preocupação para organizações de direitos humanos, que alertam para seu possível uso abusivo contra minorias religiosas.
Além dos processos judiciais, comunidades cristãs podem enfrentar ataques, intimidação e dificuldades para exercer plenamente seus direitos.
Na China, o governo exerce controle sobre organizações religiosas e exige que determinadas igrejas funcionem dentro de estruturas reconhecidas oficialmente. Comunidades independentes podem enfrentar fiscalização, fechamento de locais de culto e outras restrições.
A situação não significa que o cristianismo seja totalmente proibido no país, mas a liberdade religiosa é limitada, especialmente para grupos que atuam fora dos mecanismos de controle estatal.
A Eritreia é apontada por organizações internacionais como um país onde grupos religiosos não reconhecidos oficialmente enfrentam severas restrições e, em alguns casos, detenções.
Na Síria, a instabilidade política, os conflitos e a atuação de grupos armados contribuíram para a vulnerabilidade de diferentes comunidades religiosas, incluindo cristãos.
No Afeganistão, sob o governo do Talibã, os convertidos do islamismo ao cristianismo enfrentam riscos extremos. Muitos precisam esconder suas crenças para evitar perseguição.
A perseguição aos cristãos ocorre por diferentes motivos. Em algumas regiões, a violência é promovida por organizações extremistas; em outras, está relacionada a leis religiosas, políticas de controle estatal ou hostilidade social.
É importante distinguir os assassinatos motivados pela fé de outras mortes de cristãos decorrentes de crimes comuns, guerras ou disputas que não tenham relação comprovada com a religião.
Também é necessário destacar que a existência de perseguição em determinado país não significa que toda a população seja contrária ao cristianismo. Em muitos lugares, há pessoas de diferentes crenças que defendem a liberdade religiosa e a convivência pacífica.
Além dos casos de violência fatal, a Portas Abertas estima que 388 milhões de cristãos vivem em contextos nos quais enfrentam níveis elevados de perseguição ou discriminação religiosa, segundo a metodologia da Lista Mundial da Perseguição 2026.
O número inclui pessoas expostas a diferentes formas de restrição, como impedimentos para realizar cultos, ameaças, discriminação, limitações à evangelização e dificuldades para professar publicamente a própria fé.
Os dados mostram que a perseguição religiosa não se limita aos assassinatos: também envolve a liberdade de consciência, o direito de mudar de religião e a possibilidade de praticar uma crença sem sofrer ameaças ou punições.
Para consultar os dados e os perfis dos países: