O debate sobre criminalidade no Maranhão envolve fatores sociais, econômicos e estruturais, mas especialistas alertam que dificuldades econômicas não justificam a prática de crimes. Ao mesmo tempo, dados recentes mostram que o estado tem registrado queda em vários indicadores de violência, embora ainda enfrente desafios históricos.
Dados do Ministério da Justiça e da Secretaria de Segurança Pública indicam que o Maranhão vem apresentando redução gradual nos crimes violentos. Em 2025, por exemplo, houve queda de aproximadamente 5,5% nos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), que incluem homicídios, feminicídios e latrocínios, passando de 2.050 casos em 2024 para cerca de 1.940 em 2025. Os homicídios também caíram cerca de 5,2% no período.
No primeiro semestre de 2025, o estado registrou ainda redução de cerca de 6% nos crimes violentos letais e queda de 20% nos casos de latrocínio, além de diminuição significativa de roubos de veículos e celulares.
Mesmo com essa melhora, o Maranhão ainda aparece entre os estados com números relevantes de mortes violentas no país. Em 2024, foram registrados cerca de 2.053 homicídios no estado em números absolutos.
Em termos proporcionais, o Maranhão chegou a registrar taxa de aproximadamente 27 homicídios por 100 mil habitantes em anos recentes, acima da média considerada segura internacionalmente.
Influência social existe, mas não é justificativa
Especialistas apontam que desigualdade social, falta de oportunidades e presença menor do Estado em algumas regiões aumentam o risco social de criminalidade, principalmente em áreas urbanas e periferias.
Por outro lado, pesquisadores destacam que esses fatores não determinam o crime nem retiram a responsabilidade individual. A maioria das pessoas em situação de pobreza não comete crimes, o que mostra que fatores sociais funcionam como influência, não como justificativa.
Na legislação brasileira, dificuldade econômica não é considerada justificativa para crime. No máximo, pode ser analisada dentro do contexto social do acusado, sem eliminar a responsabilidade penal.
Avanços na segurança e desafios estruturais
Autoridades estaduais atribuem a redução recente da violência a investimentos em policiamento, inteligência e modernização das forças de segurança, além da ampliação de viaturas, equipamentos e estruturas policiais.
Especialistas, porém, destacam que a redução da criminalidade depende também de políticas sociais de longo prazo, como educação, geração de emprego e redução da desigualdade.
Realidade complexa
Hoje, a visão mais aceita entre especialistas é que a criminalidade resulta de uma combinação de fatores sociais e decisões individuais. Ou seja, o ambiente pode influenciar, mas não determina o comportamento criminoso.
No caso do Maranhão, os dados mostram avanços na redução da violência, mas também indicam que o enfrentamento da criminalidade ainda depende de políticas públicas contínuas e integração entre segurança e políticas sociais.
Fontes:
Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA)
Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP)
Fórum Brasileiro de Segurança Pública (Anuário Brasileiro de Segurança Pública)
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) – Atlas da Violência
Monitor da Violência (G1 / FBSP / NEV-USP)
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